sábado, 15 de outubro de 2011

Entrepontos- Um projeto de mudança de vida

Sempre tentei explicar pras pessoas o que acontecia nas minhas idas e vindas a Fortaleza todo fim de semana, pra alguns estágios, outros capacitação, e ainda tinham aqueles que usava como justificativa uma formação profissional. Mas nunca conseguia pontuar com tais termos a experiência que estava eu vivendo naqueles momentos de indas e vindas.
Quando me foi ofertado um edital de formação e vivência acreditava no engrandecimento profissional na área a qual me fazia feliz e me encontrava que era o de produção cultural, um lazer que me trazia certo lucro, mesmo que pouco mas o suficiente pra válvula de escape de "libertação"(descontração)funcionar, da minha outra profissão(educadora)...
Veio o resultado, estava dentro de um projeto de vivência e formação com outras pessoas da minha cidade, amigos, parceiros que após Entrepontos fomos apresentados e dispertados pra mesma fome que aqui a barriga roncava, fazer a cultura acontecer em Quixadá do nosso jeito, a nossa maneira. E estávamos juntos Cia de Artes Integradas Dom Quixarte em maioria nesse projeto.
Chego em Fortaleza na prévia da Mostra de Música Petrúcio Maia no Bom Jardim...eu me sentindo ET...gente diferente de estilo e sutaque...mais com a mesma curiosidade que eu...o que estamos fazendo aqui?O que queremos? Pra que viemos? Filosófico, mas simples de ser entendido, a busca da vivência...tarefas determinadas pra mostrar que necessitaria do outro para tal realização, ali mesmo percebi o "colaborativismo"! O tripé: Produção, técnica e comunicação estava presente, e dentro deles as divisões de relação, que só foram ser mudadas em outra vivência..No FORCAOS, ali sim, estávamos todos críticos, um tanto quanto autônomos não nas atitudes na maioria das vezes, mas sim na opinião...Foi quando nos vimos como equipe e grupo com estratégias e sistemas pré-ensinados e estabelecidos, o mecânico prevaleceu. Todos tinhamos uma idéia em comum...Os tec's, planejamentos, planilhas, doc's que se faziam de certa forma ausentes...e aí que veio a união...de dividir espaços, sentimentos, estava tudo muito sólido, entendido entre Entrepontos!
Quixartes, Cucas, Guaramirangas e Canindés...iam e viam, e dividindo espaço familiar...além dos nossos orientadores que dividiam seus espaços...dividir o tapete da sala da casa do papoco, não era apenas algo  simples e um tanto quanto material, era dividir experiências, sensações, sentimentos...voltar da farra após longo dia de "trabalho" com abajur e roupa de cama arrumada na casa da Mãe Val, isso sim era receber atenção pessoal, não profissional...que vem depois de tudo. Além da casa da Rosa, Angélica..e todas outras casas e Ap's que abriram sua intimidade para "estranhos" profissionais, até então...ganhar quarto, mãe e cachorro ía muito mais além, ganhava entendimento de pessoas normais que assim como eu, tinham seus problemas e mereciam ser entendidas quando o profissional não andava bem...entender o pessoal, o porque da limitação de cada um naquele momento ou situação...
A Feira da Música...essa foi avassaladora...firmou o que pude entender de fato desse projeto, pra se formar profissional, tem que entender o sentimental, e foi assim...puro sentimento...(E olha que participei da feira da música a 4 anos consecutivos). Tudo muito transparente, muito claro, aberto...Pra mim uma prova de vida...fui a Kamila gente grande que sempre achei que não sería capaz, mesmo não tomando atitude as vezes adulta...dei o de mim, mais não por cobrança, mas por saber que o pouco dado de mim, sería muito pela causa que eu estava mais que envolvida. Na Feira ainda veio o intercâmbio que me pôs a frente de pessoas que me fizeram ver o quanto sou pequena e um tanto quanto inútil pelo leque e mundo de coisas que posso fazer, viver e descobrir.
E tudo segue...muita coisa não será dita, porque palavras não traduzirão isso...
A Kamila filha, voltou, pela saudade das viagens, porém mais ainda, pelo valor aprendido de dar amor, dar sem esperar receber...carinho, atenção...e isso é coisa de família, a minha que o diga...dizer que os amo hoje é bem mais fácil, porque sinto e consigo perceber a carência de ouvir isso. Som que a vivência Entrepontos me ensinou. Ainda tem a onda meio ambiente...fico louca com quem joga lixo de qualquer jeito ou em qualquer lugar. Valores que devem ser aprendidos e até são em certas casas, mas agente ignora por não vivenciar isso. E digo..hoje eu vivo, desde o abraço dado ao olhar confuso ou preocupado que me pedia um abraço, não pronunciado em palavras.
No Festival das Juventudes da Cofeco, apesar de estarmos deslumbrados com o que estava no nosso íntimo, e sentimental, não conseguindo finalizar e pontuar o pensamento...traduzimos de certa forma a continuidade de que tal projeto propiciou...Eu nos festivais, projetos e trabalhos que realizo...e os outros entrepontos, nos planos que executam e pretendem executar.
É multiplicar e levar ao nosso "mundo real" as possibilidades de fazer cultura, envolvendo o ser humano culto, os seus valores e vivências para em seguida sistematizar as ferramentas de execução do trabalho. Ser humano como entendedor dos sentimentos e experiências e não somente como força de trabalho.
O que será de mim, de nós?! Não sei...
Só sei que tenho amigos irmãos, grandes profissionais, carregados de valores e sentimentos capazes de transformar o ambiente e certamente o mundo em que vivem com responsabilidade de gente grande. Que não saírão da minha vida tão cedo e nem tão tarde de dizer que sou grata por todas as palavras, abraços, sorrisos e também puxão de orelha dados.
Entrepontos- Um projeto de formação profissional e pessoal!
O ano de 2011 na minha vida será relembrado por todo o resto dela, graças a todos vocês que se fizeram presentes nesse processo, nessa construção.

5 comentários:

  1. Nada breve, nem tão pouco os sentimentos citados, nem tão pouco toda a excitação em mencioná-los, mas breve no limite palpável que possuem as palavras, breve no sentido simples em dizê-las de coração. Deus abençoe teu caminho, o nosso.

    Amém.

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  2. Amém! É a fé que me faz otimista demais! FELIZ..por tudo...sentindo uma saudade de tudo isso já. E eu que já postei de tudo nesse blog,. esse sentimento é, foi e será o melhor de ser transmitido!

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  3. Que relato emocionado e emocionante! E o bom é que esse fim é só mais um começo, muitos relatos desses virão.

    Vivi um pouco tudo isso ao ler esse texto e senti vontade de ter vivivo de verdade. Parabéns!

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  4. Sentiu Wescley? Pois é...nenhuma hipocrisia, foi tudo isso e mais um bucado...Gracias!

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